Uns dia antes da passagem de ano, eu e MJ dormimos juntas pela primeira vez. Mãos dadas, cara quase colada, beijinhos na cara, a noite toda agarradas... Amizade? Sem dúvida. Mais ainda do que apenas amizade? Absolutamente.
Mais uma noite. Mais do mesmo.
Um dos desejos para 2011: continuarmos tão próximas, ou mais ainda.
Fiz questão de que fosse a primeira pessoa a abraçar neste novo ano. Um abraço carregado de tanto sentimento que quase a sufocava.
Alguns minutos depois da meia noite e depois de toda aquela algazarra e euforia características nos jovens por mais um ano ter passado, a MJ beijou-me pela primeira vez. Reacção: um grito. Admito que não estava à espera daquilo. Ou talvez já tivesse, talvez já tivesse pensado em fazê-lo, mas nunca pensei que alguma vez fosse realmente acontecer. Depois disso, um xoxo aqui, um xoxo ali... Até que voltámos para casa.
Em casa, já só desejava que todos fossem dormir para ver o que ia acontecer depois, só as duas, sem ninguém à nossa volta. A curiosidade e a ânsia de saber eram imensas. E as pessoas teimavam em não se deitar...
Finalmente, pudemos ficar a sós. Xoxo, xoxo, xoxo, língua, língua... Lembro-me de pensar que a língua dela era diferente de todas as que já tinha experimentado. Era rugosa. Lembro-me de pensar "Mas o que está a acontecer, afinal?". Não conseguia parar. No fundo, aquela situação pareceu-me absolutamente normal, tendo em conta tudo o que já tinha acontecido antes, e toda aquela carga de qualquer coisa especial à nossa volta. Sentia-me tão bem com ela. Nem era preciso falar, bastava olhar para ela para saber que ela estava a sentir o mesmo. Bastava sentir-nos...
Acabámos por adormecer. Mais uma vez, agarradinhas.
Quando acordei, sei que pensei: "Será que foi um sonho? Se não foi, terá sido uma coisa de momento, ou vai acontecer outra vez?". Pouco demorou a perceber que não, não tinha sido apenas um sonho e que sim, ia acontecer outra vez.
Éramos para ir embora nesse dia. Ela pediu-me discretamente para ficarmos. E eu fiquei. Queria ficar. Passei o dia todo a desejar que a noite chegasse depressa. Não conseguia parar de olhar para ela. Não me conseguia afastar.
Depois de uma dia que parecia não ter fim, a noite chegou. Estávamos novamente a sós. Voltámos a beijar-nos até altas horas. Era difícil parar, era difícil pensar sequer em dormir quando aquele era o único momento em que podíamos estar realmente juntas a conhecermo-nos uma à outra como nunca pensei vir a conhecer uma mulher, a descobrirmos em conjunto o que sentíamos uma pela outra e a deixar esses sentimentos vir ao de cima.
Foi tudo tão puro.
Quando me fui embora, não conseguia deixar de pensar nela e no que tinha acontecido. Sentia-me como há muito não me sentia. Feliz, simplesmente. As dúvidas do que sentia começaram a desaparecer. Estava realmente a apaixonar-me por uma mulher.
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