18 de janeiro de 2011

o começo

Não há muito tempo, eu e a MJ, chamemos-lhe assim, não passávamos de duas colegas de turma como todas as outras. Estávamos juntas quando tínhamos de estar, falávamos quando tínhamos de falar. Mas não tínhamos aquilo a que podíamos chamar de uma grande amizade. Gostava dela, como gostava de mais gente da turma. Era uma pessoa absolutamente normal.
Nesse "não há muito tempo", eu namorava com um rapaz e também pouco ou quase nada saía ou estava com as pessoas da minha turma, a não ser o tempo de aulas e mal.
Entretanto, o namoro acabou e a minha vida mudou. Finalmente podia aproveitar o melhor que a Universidade pode dar, as amizades. Não sei como, não sei porquê, mas fui aproximando da MJ. Fui estando mais tempo com ela, fui começando a conhecê-la realmente e começando realmente a gostar de a conhecer. Entre jantaradas, bebedeiras, faltas às aulas para passar tardes inteiras no café e coisas que tais, fomos criando uma forte amizade. Pouco demorou a andarmos sempre juntas.
Encontrei na MJ uma pessoa cinco estrelas. Com uma personalidade e um feitio especiais, diferentes. "Maria-rapaz", despreocupada, divertida... Não sei explicar, mas qualquer coisa começou a atrair-me nela. Quanto mais estava com ela, mais queria estar. Quanto mais tinha dela, mais queria ter. Das mãos dadas aos abraços carregados de muita coisa mais que amizade no calor da bebedeira, dos olhares cúmplices aos carinhos na absoluta sobriedade... Algo de estranho se começava a passar.
De facto, sempre defendi a ideia de que nos podemos apaixonar pela personalidade duma pessoa, independentemente do seu sexo, ou do seu aspecto. O que é certo, é que não era só a personalidade dela que me atraía. Confesso que algo no seu aspecto me prendia também. No fundo, tinha a noção de que estava a começar a ficar apaixonada. Mas, automaticamente, o meu cérebro bloqueava essa ideia porque, pura e simplesmente, "não podia ser". Como podia eu estar a apaixonar-me por uma mulher se nunca na vida tinha sentido qualquer tipo de atracção por uma?! Como podia eu estar a apaixonar-me por uma mulher se já tinha tido uns quantos namorados e se sempre tinha gostado apenas e só de homens?!
Tantas certezas antes, tão poucas certezas depois. Parece que a vida já tinha planeado em pregar-me uma partidazinha...

3 comentários:

  1. A vida dá voltas e voltas... quando damos por isso estamos a jogar na "equipa adversária" ^_^
    Sente-se no teu texto a tua vontade de te exprimires, a vontade que não encontrava lugar para se concretizar, mas que agora, por fim, encontrou.
    Fico muito feliz por ti yellowbee e pela MJ, espero que sejam muito felizes!
    Quando precisarem de enfrentar o mundo lá estarei para vos apoiar e mandar quem fôr preciso para onde me ocorrer na altura lol.
    Mts bjinhos

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  2. Dá mesmo muitas voltas. Está sempre pronta para nos surpreender, é o que é! E nós, mesmo sem estarmos preparados, temos mais é de aceitar e aproveitar o que ela nos dá. Sim porque, há surpresas tão boas!
    Obrigada pelo apoio, Pedro. Eu sei que posso contar contigo. ^.^
    Beijinhos.

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  3. Eu ja tinha feito um comentário tão lindo, que o blogspot, fez questão de apagar. -.-' Este não vai sair igueal,mas pronto...

    Tenho a dizer, que as pessoas teem o direito de se apaixonar, por outras, idependentemente do sexo, idade ou até beleza... são pessoas como todas.
    A ana gosta do luis, porque o luis é especial, não porque é um rapaz. Se a Ana estivesse apaixonada pela Luisa, era a mesma coisa...

    E tenho pena, da sociedade não perceber isto.

    (comentário horrivel! O outro era melhor, maldito blogspot. grrrr)

    Beijinhos. até á vista.

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